Curiosidades, mitos e alimentos proibidos na nutrição de cães e gatos

Hoje em dia, os pets fazem parte da estrutura familiar. Mas para garantir saúde, longevidade e bem estar dos bichinhos é necessário entender do que eles precisam para se manterem fortes e saudáveis. Primeiramente é preciso entender que gatos e cachorros são espécies diferentes.

Particularidades de cães e gatos: Gatos não são cachorros pequenos. Eles possuem particularidades que os tornam muito diferentes dos cães. São carnívoros estritos e têm maior necessidade de proteína que cães. Essa alta necessidade protéica se deve à adesão estrita a uma dieta carnívora ao longo da história evolutiva do gato, que fez com que eles adquirissem necessidades únicas de alguns aminoácidos essenciais, como por exemplo, a taurina; ocasionando sérios problemas de saúde na deficiência dos mesmos. O alimento para gatos também tem que conter quantidade superior de gordura comparado ao alimento para cães. Os gatos idosos têm uma menor capacidade digestiva de gorduras, portanto, a fonte da mesma deve ser de boa qualidade. Já cães idosos não possuem redução na digestibilidade de nutrientes.

Aceitação do alimento: A textura do alimento também é um fator importante na aceitação de uma ração para cães e gatos e varia conforme o indivíduo. A crocância do alimento influencia bastante a aceitação para cães e gatos. Gatos se tornam “fixados” em um alimento quando o recebem por muito tempo desde jovens. Se o gato experimentar ao longo da vida dietas secas e úmidas, não terá problemas em aceitação com nenhuma das formas de alimento.

Papilas gustativas: Cães e gatos possuem uma quantidade menor de papilas gustativas que os humanos, por isso eles não têm a necessidade de uma dieta variada em sabor. Gatos não possuem papilas gustativas para a percepção do sabor doce.

Quantidade de refeições diárias: Os cães estão adaptados fisiologicamente à fazerem no mínimo duas refeições ao logo do dia, possuindo comportamento alimentar de competição e facilitação social, pelo fato de viverem em matilha e apresentarem dominância entre indivíduos. Já o comportamento alimentar natural do gato é marcado pela ingestão lenta dos alimentos e pela ausência de facilitação social devido ao fato de serem animais solitários. Na natureza, os felinos fazem pequenas refeições (13 a 16) com conteúdo calórico constante de aproximadamente 23 quilocalorias cada, sendo esta ingestão diurna e noturna. Os gatos domésticos podem ter seu alimento deixado à sua disposição para que possam fazer no mínimo 4 refeições diárias.

Nutrição X fase de vida: Por último, para escolher a melhor ração para o cão ou o gato, deve se levar em conta sua fase de vida (filhote, adulto, idoso), já que as diferentes fases exigem níveis distintos de nutrientes.

Alimentos proibidos: Alguns alimentos para humanos são inadequados para os animais domésticos e não deveriam ser utilizados. Estes alimentos podem provocar danos mais leves como vômito e diarréia e até mesmo levar à morte por intoxicação. Outros alimentos podem levar à obesidade se forem dados com frequência. Derivados lácteos como leite e iogurte, sorvete: Assim que são desmamados, tanto os cães como os gatos perdem a enzima lactase, que ajuda na digestão do leite, tornando-os assim, intolerantes a lactose. A ingestão destes alimentos pode provocar diarréia ou constipação intestinal, excesso de produção de gases e vômitos. É importante ressaltar que cada animal responde de uma forma diferente à ingestão desses alimentos e alguns podem até tolerar a ingestão de quantidades pequenas se administrada de forma esporádica, porém, o fornecimento desses alimentos não é necessário quando se fornece um alimento completo e balanceado.
Chocolate e café: O chocolate possui uma substância em sua composição chamada teobromina (que é da mesma família que a cafeína) que pode provocar toxicidade em animais de estimação, mesmo se administrada em pequenas quantidades, já que os pets têm dificuldade em eliminar essa substância do organismo. Os sintomas da toxicidade por teobromina são vômito, diarréia, falta de ar, inquietude, incontinência urinária ou aumento da micção e tremores musculares, podendo enfim levar até a morte. Se o animal ingeriu chocolate, deve ser mantido em observação, mas caso tenha começado a desenvolver os sintomas de toxicidade deve ser levado ao médico veterinário para realização de lavagem gástrica. Um quadro clínico semelhante pode acontecer se o pet ingerir café.

Cebola e alho: Administrar grandes quantidades desses alimentos para cães e gatos pode ser tóxico. A cebola possui um componente tóxico aos animais, chamado n-propil disulfida e seu consumo excessivo pode levar ao desenvolvimento de uma anemia hemolítica, que pode ser fatal. Os gatos são mais susceptíveis à intoxicação por cebola que os cães. Caso haja suspeita de toxicidade, o animal deve ser levado ao veterinário.

Carne, frango e peixe: A carne vermelha, peixe e o frango se forem administrados aos animais de estimação devem estar bem cozidos e sem ossos ou espinhas, no caso dos peixes. E a quantidade fornecida deve ser pequena, visto que, qualquer alimento associado a uma dieta completa e balanceada provoca um desequilíbrio na mesma. Nunca se deve dar peixe cru aos animais domésticos, pois certos tipos de peixe possuem uma substância que destrói a vitamina B, provocando a deficiência da mesma e sérias consequências associadas. A administração desses alimentos crus também pode transmitir parasitas. Ossos de aves: Qualquer tipo de osso animal seja cozido ou não, quando mastigado pelos pets, produzem pontas, que podem provocar perfurações no trato gastrointestinal. Além das perfurações, se engolidos, podem provocar obstruções, com consequências sérias, inclusive óbito.

Doces, balas e refrigerantes: Esses alimentos possuem uma grande quantidade de açúcar, que é prejudicial aos animais de estimação. Além de problemas dentários, pode provocar distúrbios gastrointestinais, obesidade e claro, desequilíbrio nutricional. Principalmente para os gatos, a obesidade leva a uma intolerância a glicose e uma hiperinsulinemia, o que aumenta o risco do animal desenvolver diabetes.

Frutas: As frutas que contém grande quantidade de água em sua composição, como melancia e melão, podem ser administradas em pequenas quantidades e sem sementes. Já as frutas ácidas como a laranja, devem ser evitadas para não causar irritações no trato gastrointestinal.

Uva e uva passa: Essa fruta apresenta um composto não identificado que sobrecarrega os rins e pode provocar insuficiência renal aguda, que pode levar à morte. Nem todos os animais são igualmente susceptíveis e o grau de intoxicação varia individualmente.

Sal: As rações comerciais já possuem em sua composição o sódio na quantidade correta que os animais necessitam. Portanto, não é necessária a suplementação de sal na alimentação de cães e gatos. Se houver uma ingestão excessiva acidental, mas existir água à vontade para o animal, as chances de intoxicação em um animal saudável são pequenas.
Tomate: O tomate quando verde possui uma substância denominada tomatina, que está presente em grandes concentrações na fruta e em plantas novas. Na fruta madura, a tomatina está quase totalmente metabolizada, porém também pode causar sintomas de intoxicação. Os sintomas mais frequentes são distúrbios gastrointestinais, fraqueza muscular, tremores e distúrbios cardíacos. Além disso, alguns animais apresentam alergia à fruta, que pode se
manifestar por coceiras e feridas na pele.

Bebida alcóolica: Pode levar a uma grave intoxicação alcóolica, mesmo se consumindo em pequenas quantidades, com sintomas como incoordenação, vômito, convulsões e o animal pode até mesmo entrar em coma e vir a óbito. A intoxicação é dose dependente, sendo que quanto maior a dose ingerida, piores serão os efeitos. Comparativamente, seria o mesmo que fornecer bebida alcóolica a uma criança.